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Vinho tinto e mulher
Vinho tinto de velha safra ele tomou, quase um litro. Varou a noite um pouco embriagado à procura de um grande amor,como já fizera em outras ocasiões. Vivia sozinho, solitário em belo apartamento no centro da cidade. Vizinhos eram poucos, com os quais mantinha distante relação de amizade.
Vizinha bonita não havia, as poucas ali residentes eram casadas. Valentina foi a primeira namorada, que nunca mais viu. Vera e Vitória vieram em seguida, mas logo desapareceram de sua vida e hoje vivem distantes de seus sonhos românticos. Velho ainda não era, pois passava apenas um pouco da casa dos trinta anos. Vez ou outra passeava em cidades vizinhas à procura da companheira tão desejada. Vinhedo e Valinhos eram as cidades preferidas. Vilma e Vanda foram apresentadas a ele numa dessas viagens turísticas, mas nada de interessante ocorreu, pois nenhuma das duas teve por ele grande atração e não passaram de dois amores platônicos em sua existência. Vazia ia ficando a vida de Vicente, este era seu nome. Voraz nessa busca, via que acabaria doente de tanta procura em noites seguidas. Velha já estava a noite vazia daquele dia em que quase um litro de vinho tinto de velha safra bebeu o coitado do Vicente, à procura da mulher que daria mais objetivo e sentido à sua vida. Vida vadia a de Vicente, agora quase demente. Vielas, ruas e avenidas percorreu e mulher não encontrava. Várias chegou a avistar bem distantes estavam, é verdade, e a curta distância também pôde observar algumas, mas não eram aquelas e nem estas, o tipo de mulher que estava procurando. Viu uma de repente, mulher diferente. Vislumbrou os loiros e lisos cabelos escorridos pelas costas e bem torneadas as pernas, ressaltadas pela meia de seda, na iluminação pública da calçada. Vai bem devagar Vicente com medo de assustar a bonita mulher, assim lhe parecia, que demonstrava estar esperando alguém. Vinho tinto de velha safra não presta, começou a pensar depois de bem perto chegar. Vítima de ilusão ótica, talvez por efeito da bebida, vital decisão resolveu tomar: Virou abstêmio a partir daquela noite, o pobre Vicente. Veado, travestido, era a loira, que avistara à distância, pensando ser mulher.
Hildebrando Pafundi
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Escrito por Sônia
as 07h28
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E por vezes as noites duram meses
E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos
E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos só o sarro das noites não dos meses lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos E por vezes, por vezes, ah por vezes... num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão Ferreira
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Escrito por Sônia
as 06h56
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Fio
No fio da respiração, rola a minha vida monótona, rola o peso do meu coração.
Tu não vês o jogo perdendo-se como as palavras de uma canção.
Passas longe, entre nuvens rápidas, com tantas estrelas na mão...
Para que serve o fio trêmulo em que rola o meu coração?
Cecília Meireles
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Escrito por Sônia
as 19h14
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Uma droga chamada Internet
Tempos modernos...
Pela internet pagamos as contas, namoramos, e até casamos quem sabe? rs...
Bom isso? Talvez...
Na internet também muitos traem, outros tantos são traídos e nem sabem...
Pratica-se a pedofilia, pornografia, sexo! Isso mesmo...
Enchemos nossa mente com um monte de porcarias.
Internet atrai, vicia. E essa atração vem da possibilidade de ser o que você quiser.
Podemos ser mocinha, bandido, romântico, lindo, trabalhador, sério,
cafajeste, amante, moderno, careta, poeta, ou um trambolho qualquer e ninguém
nunca vai saber qual a verdade.
Podemos ainda fingir o tempo todo, e achar muito normal...
Por outro lado, há os que fazem um ótimo uso “dela”.
Encontramos grandes poetas, pessoas que tem o dom da palavra e partilham
com o mundo coisas maravilhosas!
Fazemos grandes amizades, amizades que realmente valem a pena.
Acho que a internet está dividida: 50% coisas boas e 50% coisas desprezíveis.
O computador é realmente a maior invenção do homem!
E tudo depende do uso que cada um faz...
E você, navegando muito? Que uso você faz da internet? 
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Escrito por Sônia
as 07h12
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Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, De vivo luzir, Estrelas incertas, que as águas dormentes Do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Têm meiga expressão, Mais doce que a brisa, mais doce que o nauta De noite cantando, mais doce que a frauta Quebrando a solidão,
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, De vivo luzir, São meigos infantes, gentis, engraçados Brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando Em jogo infantil, Inquietos, travessos; causando tormento, Com beijos nos pagam a dor de um momento, Com modo gentil.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Assim é que são; Às vezes luzindo, serenos, tranquilos, Às vezes vulcão!
Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, Tão frouxo brilhar, Que a mim me parece que o ar lhes falece, E os olhos tão meigos, que o pranto humedece Me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranquilo, Desperta a chorar; E mudo e sisudo, cismando mil coisas, Não pensa, a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante, Às vezes do céu Cai doce harmonia duma Harpa celeste, Um vago desejo; e a mente se veste De pranto co'um véu.
Quer sejam saudades, quer sejam desejos Da pátria melhor; Eu amo seus olhos que choram em causa Um pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, De vivo fulgor; Seus olhos que exprimem tão doce harmonia, Que falam de amores com tanta poesia, Com tanto pudor.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Assim é que são; Eu amo esses olhos que falam de amores Com tanta paixão.
Gonçalves Dias
Será que ele fez pra mim?! rs...
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Escrito por Sônia
as 19h26
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A Boca
A boca,
onde o fogo de um verão muito antigo
cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento para ser ave,
e cantar.
Eugénio de Andrade
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Escrito por Sônia
as 14h26
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Recordar é viver...
é sentir novamente a doçura, a alegria daqueles dias...
A Vida Não Presta
VOCÊ VAI DE CARRO PRA ESCOLA E EU SÓ VOU A PÉ VOCÊ TEM AMIGOS À BEÇA E EU SÓ TENHO O ZÉ PRA CONSOLAR, AS TARDES DE DOMINGO QUE EU PASSO A SOFRER SONHANDO EM TER UM CARRO CONVERSÍVEL PRA VOCÊ ME QUERER
QUANTAS NOITES EM CLARO EU PASSEI TENTANDO TE ESQUECER QUANDO À NOITE EU CONSIGO DORMIR EU SONHO É COM VOCÊ A ME DIZER... PRA NÃO TER ILUSÔES QUE ENTRE NÓS NÃO PODE SER E É MESMO ASSIM... NEM MESMO NO MEU SONHO EU POSSO TER VOCÊ PRA MIM
EU TENTEI NAQUELA FESTA VOCÊ FUGIU DE MIM EU PENSEI A VIDA NÃO PRESTA ELA NÃO GOSTA DE MIM...
Leo Jaime
Velhos tempos...belos dias!
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Escrito por Sônia
as 10h45
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Flor Da Pele
Ando tão à flor da pele, Que qualquer beijo de novela me faz chorar, Ando tão à flor da pele, Que teu olhar flor na janela me faz morrer, Ando tão à flor da pele, Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser, Ando tão à flor da pele, Que a minha pele tem o fogo do juízo final.
Um barco sem porto, Sem rumo, Sem vela, Cavalo sem sela, Um bicho solto, Um cão sem dono, Um menino, Um bandido, Às vezes me preservo noutras suicido.
Oh sim... eu estou tão cansado, Mas não pra dizer, Que não acredito mais em você Eu não preciso de muito dinheiro graças a Deus Mas vou tomar aquele velho navio, Aquele velho navio..
Um barco sem porto, Sem rumo, Sem vela, Cavalo sem sela, Um bicho solto, Um cão sem dono, Um menino, Um bandido, Às vezes me preservo noutras suicido...
Zeca Baleiro
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Escrito por Sônia
as 20h43
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Risque
Risque Meu nome de seu caderno Já não suporto o inferno Do nosso amor fracassado
Deixe Que eu siga novos caminhos Em busca de outros carinhos Matemos nosso passado Mas se algum dia, talvez A saudade apertar Não se perturbe Afogue a saudade nos copos de um bar
Creia: Toda quimera se esfuma Como a brancura da espuma Que se desmancha na areia
Ary Barroso
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Escrito por Sônia
as 19h26
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Dividido
Dividido entre o homem e o poeta, um que é bicho, outro profeta, um que sonha, outro razão, um que pena, outro tesão, um íntegro, outro canalha, sigo a sina no fio da navalha e entre eles ergo a muralha que Cronos me deu por punição; ao poeta toca as noites, os sábados, domingos e feriados; ao homem toca os dias ocupados na labuta pelo pão. Ao homem é quem cabe o pecado, ao poeta só cabe ilusão.
Fred Matos
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Escrito por Sônia
as 08h14
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As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo, Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
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Escrito por Sônia
as 11h41
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Quando a alma
Quando a alma
parece despedir-se
e o corpo ficar
no centro do mundo
tudo gira e passa
tudo é circular
e nada sai do lugar.
O que haverá de fazer-se
quando a razão é dúvida
e a emoção é turva ? Para além das mil besteiras
que povoam cada instante
( infinito )
da perplexidade,
a ação é ativa.
A Era celerada
os egos cotidianos
só entram pelo cano
e o eterno tempo
desenham nuvens ao vento!
Ona Gaia
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Escrito por Sônia
as 06h32
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I Don't Want to Talk About It
I can tell by your eyes that you've probably been crying forever, ( eu posso dizer pelos seu olhos que você provavelmente sempre chorou) and the stars in the sky don't mean nothing to you, they're a mirror. ( E as estrelas no céu não dizem nada a você, elas são um espelho) I don't want to talk about it, how you`ve broken my heart. ( eu não quero conversar sobre isso, de como você partiu meu coração) If I stay here just a little bit longer, ( se eu ficar apenas um pouco mais de tempo ) If I stay here, won't you listen to my heart, ohh my heart? ( se eu ficar, você não vai ouvir meu coração, ohh meu coração?) If I stand all alone, will the shadow hide the color of my heart; ( Se eu ficar Sozinho, as sombras vão cobrir as cores do meu coração) blue for the tears, black for the night's fears. ( azul pelas lágrimas, negro pelos medos da noite) The star in the sky don't mean nothing to you, they're a mirror. (E as estrelas no céu não dizem nada a você, elas são um espelho) I don't want to talk about it, how you broke my heart. (eu não quero conversar sobre isso, de como você quebrou o meu coração) If I stay here just a little bit longer, (se eu ficar apenas um pouco mais de tempo ) if I stay here, won't you listen to my heart, ohh my heart? (se eu ficar, você não vai ouvir meu coração, ohh meu coração?) my heart, ohh my heart, this old heart. ( meu coração, ohh meu coração, este velho coração ) I don't want to talk about it, how you´ve broken my heart (eu não quero conversar sobre isso, de como você quebrou o meu coração) If I stay here just a little bit longer, ( se eu ficar apenas um pouco mais de tempo ) If I stay here, won't you listen to my heart, ohh my heart? ( se eu ficar, você não vai ouvir meu coração, ohh meu coração?) My heart, ohh my heart. ( meu coração, ohh meu coração)
Rod Stewart
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Escrito por Sônia
as 22h17
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Bom Conselho
Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça Inútil dormir que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio o vento Na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade...
Chico Buarque
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Escrito por Sônia
as 06h40
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Adolescente
Adolescente é adrenalina que agita a juventude Tumultua os pais e os que lidam com ele Adrenalina que dá taquicardia nos pais depressão nas mães raiva nos irmãos que provoca fidelidade nos amigos desperta paixão cansa os professores curte um barulhento som experimenta novidades revolta os vizinhos Adolescente é um deus com frágeis pés um atleta que busca o colo dos pais um ousado no volante que acaba com o carro um temerário porque desconsidera o perigo um herói sexual reprimido pela timidez um conquistador que sofre "um branco" na hora H alegria de sonrisal em copo d'água escuridão da casa em que foi cortada a luz... Difícil é lidar com ele porque Ele não entende seu próprio corpo e ainda é
ridicularizado por seus próprios colegas Ele quer resolver os problemas do mundo mas
se atrapalha com simples questões de matemática Ele prefere a certeza de não estudar do que arriscar
sua inteligência numa prova escolar Ele nem bem se mete arrumar seu quarto mas lava
e lustra o carro como se fosse um joalheiro Ele se dispõe contra os outros em defesa dos
pais que ele mesmo maltrata Ele é realmente sociável e seguramente instável Ele ri com lágrimas e chora com gargalhadas Ele brinca de brigar e briga para amar Ele vive sonhos e projetos de vir a ser porque
O adolescente é
Pequeno demais para as grandes coisas Grande demais para pequenas coisas.
Texto do Dr. Içami Tiba, se encontra no livro “Amor, Felicidade & Cia”.
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Escrito por Sônia
as 14h17
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