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Eu Preciso Aprender a Só Ser
Sabe, gente É tanta coisa pra gente saber O que cantar, como andar, onde ir O que dizer, o que calar, a quem querer Sabe, gente É tanta coisa que eu fico sem jeito Sou eu sozinho e esse nó no peito Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder Sabe, gente Eu sei que no fundo o problema é só da gente É só do coração dizer não quando a mente Tenta nos levar pra casa do sofrer E quando escutar um samba-canção Assim como "Eu preciso aprender a ser só" Reagir e ouvir o coração responder: "Eu preciso aprender a só ser".
(Gilberto Gil - Texto de Isabel Câmara)
Escrito por Sônia
as 07h29
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VOAR É PRECISO
Passamos uma vida presos, Qual pássaros em suas gaiolas! Medo de amar, de olhar a vida de frente... E naquele pequeno espaço, Cantamos nossas dores e sonhos! Muitas vezes, as portas de Nossas gaiolas se abrem... Mas permanecemos ali, acostumados, Encolhidos nas nossas vontades e sonhos! Não tenham dúvidas amigos, À primeira oportunidade, Devem alçar o vôo dos falcões, Calmo, confiante, determinado! Amem sem medo, Brinquem um pouco com a vida! Não tenham medo dos rochedos E sobre eles, estendam as suas asas Corajosas de falcões! Soltem-se ao vento, E deixem-no levá-los ao sonho! Como o Condor, Tente enxergar as pequeninas Coisas a sua volta E saber apreciá-las, Dando um sentido novo a sua vida! Não sejam passarinhos de gaiolas, Mas, Falcões e Condores do céu! A cada dia existe uma renovação constante, E nunca um, será como o outro... Não há dores eternas, Lágrimas eternas, perdas eternas! Há sorrisos, Esperando-lhes, dias de sol, O abraço dos amigos, dos filhos. E tantos sonhos lindos! Um amor lhe espera, Para com vocês, voar, Voar... Porque a vida É um recomeçar diário de um vôo! E gaiolas não foram feitas para Pássaros... Tampouco para Falcões.
Desconheço a mente brilhante
Escrito por Sônia
as 21h12
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Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve.
E a cascata aérea de sua garganta, mais leve. E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve. E o desejo rápido desse mais antigo instante, mais leve. E a fuga invisível do amargo passante, mais leve.
Cecília Meireles
Escrito por Sônia
as 08h05
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VOCÊ NÃO SABE
Você que veio,
Não sei do seu olhar, Mas sei que num segundo Ele poderia me falar Bem mais do que seus dedos em mil teclas saltitando Em mil anos poderiam me contar;
Não sei dos seus cabelos, De seus brilhos, dos seus meneios, Das linhas retas ou de seus novelos, Mas que em caracóis ou em lisos devaneios Poderiam, sem rodeios, Em mil enlevos me enrolar.
Não sei tampouco de sua mão Que repousa agora sobre o mouse Será pálida, será morena? seca? suave? Será mão delicada, de gala, Ou seria a garra de uma águia? Mas o que isso importa Se o que importa é que foi dela o toque Que te trouxe a esta sala?
Também não sei do tom de sua voz Que mil caracteres por séculos gritando Não conseguiriam jamais susurrar.
Você veio e eu não sei de você.
Se pudéssemos nos encontrar. Onde houvesse mar... Vento soprando, ondas batendo, Não porque odeiam as pedras, Mas porque amam espumas ao ar...
Mas você não fica, logo parte. E se, de site em site vai desaparecendo, É porque talvez saiba o que está ganhando, Mas não sabe o que estou perdendo!
Kali http://kaliblog.blogspot.com/
Escrito por Sônia
as 21h37
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TOCAR O OUTRO
Quando abro a porta, Para um novo céu aberto, Observo o seu universo. Percebo que todo ser é único Nem sempre completo, Nem sempre belo, Nem sempre liberto, Mas, me aquieto Para vê-lo de perto. Vendo-o de perto Muitos desejos dominam. É solto, é claro, é certo... Meus olhos se limitam, Somente no que os fascinam. Confesso ver somente, Tudo que é doce e envolvente E me perco pelos seus caminhos, Deixando que me queime, O seu sol ardente... Agora, vai indo, Mas me tocou alma, E o fez como uma flauta. Minha alma agora queimada Pelos seus raios, mas, nunca vitimada. Sua imagem de mim, Não se afasta. Aprendo que tocar o outro, É brincar com fogo, É encontrar tesouro, É brilhar a luz do ouro.
Adriana Zaparolli
Escrito por Sônia
as 19h28
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Prece de Cáritas
"Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade,
dai força àquele que passa pela provação; dai luz àquele que procura a verdade,
pondo no coração do homem a compaixão e a caridade. Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito a consolação,
ao doente o repouso. Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade,
a criança o guia, ao órfão o pai. Senhor, que a vossa bondade se estenda
sobre tudo que Criastes. Piedade Senhor, para aqueles que não vos conhecem,
esperança para aqueles que sofrem. Que a Vossa bondade permita aos espíritos
consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé. Deus, um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a terra. Deixa-nos beber nas fontes dessa bondade
fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão.
Um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos,
oh! Poder... oh! Bondade... oh! Beleza... oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte alcançar a Vossa misericórdia.
Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós.
Dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas,
o espelho onde deve refletir a Vossa Santa e Misericordiosa imagem."
A todos aqueles que sofrem...
Escrito por Sônia
as 07h57
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BUMERANGUE
Quando prendo, perco
Ao perder, procuro
E buscando, encontro
No encontro, solto
E soltando, volta
No retorno, vejo
O que vejo, escapa
Observo e integro
O que integro, amo
E o amor liberta.
Virgínia Leal
Escrito por Sônia
as 10h06
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Mar
Sinto dentro do corpo Um mar de sentimentos. Tento canalizá-lo E expressá-lo em palavras.
Não consigo. É muita água... É muito sentimento..
Peço que entenda mais, Do que possa perdoar...
Você não imagina... O que sinto Quando o mar Que carrego Entra em ressaca.
Truck Tumleh
Escrito por Sônia
as 06h50
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Demogracinha
Ele se acorda cedinho E já corre apressado Sem se espreguiçar, Mete a escova na boca De um lado pro outro Nem sabe escovar, Respira fundo E maneja um pão seco Entornando um café Tanto já requentado, Sonhando quanto queria Contar mais idade Pra estar aposentado. Corre pro ponto do ônibus E despenteado, amassado, remelado Encosta-se ao poste E cochila na espera. A lotação vem lotada E queima parada, Ele vira fera. Acende um cigarro E seu pensamento se faz um relógio: a-tra-sa-do, a-tra-sa-do, a-tra-sa-do... E impaciente respira ofegante Seu corpo incomóvel. O ônibus chega E ele cortês entra no final E sai pendurado na porta E coitado, nem vê que isso é mal. Ao chegar na fábrica Leva um esporro de advertência E sem consciência Roga mil desculpas Carregando o peso De ter atrasado Por sua própria culpa. Tenta se explicar Mas o patrão não dá Espaço pra tal. Diz: vai trabalhar E sem ladainha Pra recuperar os minutos do dia Vagabundo. Trabalha sem pique E agüenta os xerifes, fiscalização, No final do dia Retorna da lida Sem nenhum tostão. Ao chagar em casa Cansado,estropiado, suado Pega a toalha e vai ao banheiro, Pra seu infortúnio A água querida Não sai do chuveiro: Como pesa COMPESA. A TV quebrada, Liga-se no rádio E ouve as notícias De aumento de preços, De mortes, assaltos E até do impeachment. Desliga o rádio, Deita-se na cama, Lembra de quem ama E dorme sem cor E há quem acredite Que um dia se chega Sendo eleitor. E há quem acredite Que um dia se chega Crendo no Senhor.
Ivan Marinho
(1965 Pernambuco)
Escrito por Sônia
as 16h43
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Nictofagia
Se eu pudesse beber-te, ó noite,
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,
Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tecê-las
E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,
Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!
Natália Correia
Escrito por Sônia
as 08h53
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Homens Bons
Os homens bons, quase sempre Têm o rosto nas estrelas E o coração nos canteiros. Têm fé no nascer dos sóis, Têm a alegria nos filhos, E a esperança nos sapatos. Os homens bons, fatalmente Amam mais do que deviam. Têm mulheres complicadas, Têm amores de mentira. Mas são, sobretudo, amados Como artífices da vida. Os homens bons, certamente São puros como as manhãs.
São tímidos como as pedras, São fáceis como as crianças. São homens, como os antigos São máquinas, se convém. Os homens bons, normalmente, Saem respirando a vida
E chegam cheirando a trabalho. Os homens bons, geralmente, São homens de mulher só. Não que uma só sempre amassem, Ou que uma só vez casassem, Mas é que há um porta-retrato Na mesa de cabeceira Enfeitada de memória Em casa de suas vidas Que lhes servirá de morada Após do mundo partirem.
Joeldo Holanda
Escrito por Sônia
as 07h53
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Impressão
Tens a cor mais límpida e real
e a luminosidade calma das manhãs de primavera
Eu carrego na alma a explosão boreal
e a densidade rubra das tardes de inverno
Tens nos pés as estradas, os caminhos, o destino
Tenho asas densas e mergulho cego num vôo sem rumo
-caio, levanto, bato o pó e me aprumo-
És música cristalina, o som puro, melodia solta ao vento
Sou o tempo, semifusa, o contratempo
Tu, a beleza límpida e afinadíssima da voz de soprano
Sou Mozart ao piano.
És da noite as estrelas iluminadas no céu enluarado
Sou cometa incandescente e alucinado
atravessando veloz, incendiando a paisagem
És postal. Sou miragem.
Tens a força da terra
a suavidade da vinha, a tez da uva
Sou vento que te remexe, vendaval,
e, depois, o carinho precioso da abençoada chuva.
És paisagem a céu aberto,
montanhas, água, brisa, vela
Sou Van Gogh escancarado na tela.
És o riacho que mata a sede
Sou a cascata incontrolável
És descanso, a paz, o sono, a rede
Sou o desejo inadiável
És o calor que alenta os viajantes
Sou a brasa que arde em seu fogo ruivo
Encantas com a voz de mil pássaros cantantes
Eu uivo.
És, inteira,
parte de mim que se perdeu.
Sou, assim dividido,
definitivamente
inteiro teu.
Nilson José Ribeiro
Escrito por Sônia
as 08h51
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